A criação de servidores, redes e bancos de dados por meio de painéis de administração ainda é prática comum em muitas empresas. No entanto, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO e especialista em tecnologia, software e inteligência artificial, observa que esse modelo se torna difícil de sustentar à medida que os ambientes em nuvem crescem. A infraestrutura como código surgiu para trazer à gestão de recursos a mesma disciplina aplicada ao desenvolvimento de software.
A proposta consiste em descrever a infraestrutura em arquivos de configuração, que podem ser versionados, revisados e executados de forma automática. Em vez de configurar cada recurso manualmente, as equipes definem o estado desejado do ambiente, e ferramentas especializadas são responsáveis por criá-lo ou ajustá-lo.
Com a expansão da nuvem e dos ambientes híbridos, a prática deixou de ser restrita a empresas de tecnologia. A seguir, veja quais problemas ela resolve, quais ganhos oferece e o que considerar na adoção.
Os problemas da configuração manual
A criação manual de ambientes frequentemente resulta na acumulação de diferenças ao longo do tempo. Um ajuste realizado de forma precipitada durante a produção, uma configuração negligenciada no ambiente de testes ou uma permissão concedida para resolver um incidente podem resultar em ambientes que, embora idênticos em teoria, apresentem comportamentos distintos na prática. Esse fenômeno é conhecido como desvio de configuração.
Como explica o diretor de tecnologia, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, esse desvio constitui uma fonte frequente de falhas difíceis de diagnosticar. Uma aplicação que opera em homologação, mas apresenta falhas em produção, pode estar reagindo a uma diferença de configuração não registrada, o que pode resultar em horas de investigação.
A configuração manual também dificulta a recuperação. Em caso de falha grave ou ataque, a falta de uma descrição detalhada da infraestrutura pode obrigar as equipes a reconstruí-la de memória, resultando em aumento do tempo de indisponibilidade e do risco de erros. A escassez de informações sobre a montagem de cada ambiente, muitas vezes restrita a um grupo seleto de profissionais, constitui um desafio adicional, especialmente em circunstâncias em que esses especialistas não estão disponíveis no momento do incidente.

Os ganhos da infraestrutura descrita em código
A reprodutibilidade constitui o benefício mais imediato. Com a infraestrutura devidamente definida no sistema de arquivos, é possível criar ambientes idênticos para desenvolvimento, testes e produção, eliminando diferenças que causam falhas inesperadas. Novos ambientes podem ser provisionados em minutos, a partir da mesma base, inclusive em outras regiões de nuvem.
De acordo com a avaliação de Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, especialista em software e inteligência artificial, o versionamento proporciona benefícios em termos de governança. Cada alteração é devidamente registrada, com a assinatura do autor, a data e a justificativa, e pode ser submetida a uma revisão antes de sua aplicação. Tal funcionalidade facilita auditorias, permite reverter mudanças problemáticas e torna a segurança da informação parte do processo, com verificações automáticas de configurações inseguras antes da publicação.
Além disso, os custos são mais controláveis. A criação e a destruição automáticas de ambientes temporários evitam o uso excessivo de recursos em nuvem. Padrões de dimensionamento definidos em código impedem que cada equipe configure servidores maiores do que o necessário. Como apontado por Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, que atua como CTO, a padronização facilita a atribuição de custos por projeto, uma das bases das práticas de FinOps.
Disciplina de software aplicada à infraestrutura
Ademais, a infraestrutura como código torna a gestão de ambientes um processo previsível, auditável e repetível. A padronização das práticas de tratamento de servidores, redes e permissões com as mesmas aplicadas ao software permite às empresas reduzir erros, acelerar entregas e aumentar a capacidade de recuperação em caso de incidentes.
A adoção requer investimentos em capacitação e mudança de hábitos, visto que é necessário abandonar alterações manuais para que o código continue a refletir a realidade. Para Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, diretor de tecnologia, iniciar novos projetos e migrar progressivamente os ambientes existentes permite consolidar a prática sem interromper a operação. Com o passar do tempo, a descrição integral da infraestrutura codificada também se transforma em um mecanismo de documentação dinâmica, que se mantém em constante conformidade com a situação operacional vigente.
