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Política

Ministério da Saúde institui nova política nacional para reduzir erros e riscos no atendimento do SUS

Diego Velázquez
Diego Velázquez 14 de julho de 2026
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Portaria cria a Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente e promete mudar a forma como hospitais e postos do SUS tratam falhas assistenciais.

Contents
O que a nova política estabelece na práticaPor que essa política é considerada estratégica pelo governoO que muda para quem usa o SUS no dia a dia

O Ministério da Saúde publicou, em 9 de junho, a Portaria GM/MS nº 11.527, que institui a Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente. A medida estabelece diretrizes para promover um cuidado mais seguro em todos os serviços que compõem o Sistema Único de Saúde, da atenção primária aos hospitais de alta complexidade. Para quem utiliza o SUS no dia a dia, a novidade levanta perguntas concretas: o que muda, na prática, no atendimento de quem depende do sistema público? A política vai reduzir erros médicos e falhas de comunicação entre profissionais? E como isso se conecta com outras iniciativas do governo voltadas à ampliação do acesso a consultas e exames? Este texto explica o conteúdo da nova política com base nas informações divulgadas oficialmente pelo próprio Ministério da Saúde.

O que a nova política estabelece na prática

A Política Nacional de Qualidade e Segurança do Paciente, conhecida pela sigla PNQSP, tem como proposta central qualificar toda a jornada do usuário do SUS, desde o primeiro atendimento até o acompanhamento contínuo do tratamento. Isso inclui práticas específicas, como a identificação correta dos pacientes, a prevenção de infecções relacionadas à assistência, maior segurança no uso de medicamentos, redução de riscos em procedimentos e cirurgias, e melhoria na comunicação entre os profissionais envolvidos no cuidado de cada paciente. Segundo o diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência do ministério, Fernando Figueira, a proposta busca consolidar uma cultura de cuidado baseada na prevenção de riscos e na busca permanente por melhores resultados em saúde, entendendo que a segurança do paciente não pode depender de um único profissional ou serviço isolado.

A política também prevê o fortalecimento dos Núcleos de Segurança do Paciente, estruturas responsáveis por promover ações de prevenção, monitoramento e melhoria contínua da qualidade nos serviços de saúde. Além disso, estabelece estratégias de qualificação permanente dos profissionais e incentiva o uso de tecnologias digitais e de indicadores capazes de orientar decisões clínicas e administrativas. A implementação será progressiva e pactuada entre União, estados e municípios, respeitando as diferentes realidades dos territórios brasileiros, o que significa que a mudança não deve ocorrer de forma uniforme em todo o país, mas conforme a capacidade de adaptação de cada rede local de saúde.

Por que essa política é considerada estratégica pelo governo

A publicação da PNQSP não ocorre de forma isolada. Segundo o Ministério da Saúde, a nova política dialoga diretamente com o Programa Agora Tem Especialistas, iniciativa que tem ampliado a oferta de consultas, exames, cirurgias e tratamentos especializados em todo o país, com o objetivo de reduzir o tempo de espera no SUS. A lógica apresentada pelo governo é a de que ampliar o acesso aos serviços de saúde sem garantir qualidade e segurança no atendimento pode gerar resultados insatisfatórios, mesmo que o número de atendimentos cresça. Por isso, a nova política é tratada como uma ferramenta complementar à expansão do acesso, e não como uma iniciativa independente.

A coordenadora-geral de Atenção Hospitalar do ministério, Luisa Frazão, reforça esse ponto ao afirmar que a qualidade e a segurança não são atributos de um serviço isolado, mas de toda a rede de atenção à saúde. Na prática, isso significa que a política tenta resolver um problema recorrente na gestão pública de saúde no Brasil, que é a fragmentação do cuidado entre diferentes níveis de atendimento, muitas vezes sem comunicação eficiente entre uma unidade básica de saúde, um pronto-socorro e um hospital de referência. Ao propor que a segurança do paciente acompanhe toda essa trajetória, o governo sinaliza a intenção de padronizar processos que hoje variam bastante conforme o município e o estado, algo que especialistas em gestão em saúde apontam como um dos principais gargalos do SUS.

O que muda para quem usa o SUS no dia a dia

Para o cidadão que depende do sistema público, os efeitos da nova política devem aparecer de forma gradual, já que a implementação será pactuada entre os diferentes entes federativos, sem prazo único definido para todo o país. Ainda assim, algumas mudanças tendem a ser mais perceptíveis com o tempo, como maior rigor na identificação de pacientes durante internações, protocolos mais claros de segurança no uso de medicamentos e comunicação mais estruturada entre os profissionais que atendem um mesmo paciente ao longo do tratamento. Hospitais e unidades de saúde deverão fortalecer seus Núcleos de Segurança do Paciente, o que pode significar mais canais de registro e investigação de eventos adversos dentro dos próprios serviços.

Para pacientes e familiares, a orientação prática diante de qualquer dúvida sobre um atendimento específico continua sendo buscar esclarecimentos diretamente com a equipe de saúde responsável ou com a ouvidoria da unidade, já que a política não substitui o diálogo entre profissional e paciente, apenas cria diretrizes institucionais para qualificar esse cuidado. Questões clínicas específicas, como a avaliação de um tratamento ou de um procedimento realizado, devem sempre ser esclarecidas com o médico responsável pelo caso, e não com base em interpretações genéricas sobre a nova política.

A instituição da PNQSP representa um passo formal do Ministério da Saúde para tratar a segurança do paciente como parte estruturante do SUS, e não como uma preocupação secundária diante da ampliação do acesso. Nos próximos meses, a forma como estados e municípios pactuarão a implementação da política deve indicar se as mudanças propostas conseguirão, de fato, chegar à ponta do sistema, onde profissionais de saúde e pacientes lidam diariamente com os desafios de um SUS que atende milhões de pessoas com recursos historicamente limitados.

Fontes consultadas:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/junho/ministerio-da-saude-institui-politica-nacional-de-qualidade-e-seguranca-do-paciente-para-fortalecer-o-cuidado-em-todo-o-sus
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/agora-tem-especialistas

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