Recentemente, um debate que ganhou urgência nas grandes cidades brasileiras nos últimos anos foi o papel da pavimentação na capacidade de drenagem urbana. Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, explica que, com chuvas mais intensas e concentradas, impermeabilização excessiva do solo e sistemas de drenagem tradicionais sobrecarregados, engenheiros e urbanistas passaram a olhar com mais atenção para soluções de pavimentação capazes de reduzir o volume de água escoando superficialmente.
Nesse contexto, os pisos intertravados, popularmente chamados de pavers, deixaram de ser vistos apenas como opção estética para calçadas e passaram a ser discutidos como ferramenta de gestão hídrica urbana. Quando corretamente especificados, com juntas adequadas e base permeável, esses pisos permitem que parte da água da chuva se infiltre no solo em vez de escoar diretamente para galerias pluviais já no limite de sua capacidade.
O resultado é um debate que une engenharia, urbanismo e sustentabilidade em torno de uma pergunta cada vez mais frequente nos projetos de infraestrutura urbana: como pavimentar áreas urbanas sem agravar o problema das enchentes que afetam regularmente diversas cidades do país.
O que diferencia um piso intertravado comum de uma solução de drenagem?
Nem todo piso intertravado cumpre a função de drenagem. A diferença está principalmente na composição da base de assentamento e na largura das juntas entre as peças. Sistemas pensados para favorecer a infiltração utilizam camadas de brita ou agregados graduados sob o piso, permitindo que a água consiga percolar para camadas inferiores do solo em vez de se acumular na superfície.
Esse tipo de especificação técnica exige conhecimento aprofundado sobre o solo local, o regime de chuvas da região e a carga de tráfego prevista para a área pavimentada. Aplicar a mesma solução em contextos muito diferentes, de uma calçada residencial a um pátio industrial, sem ajustar essas variáveis, é um erro recorrente que reduz a eficácia do sistema e pode comprometer sua durabilidade, alerta Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim.
Resistência e estética sem abrir mão da função
Um dos avanços mais relevantes na fabricação de pisos intertravados nos últimos anos foi conciliar resistência mecânica, estética e função de drenagem em uma mesma peça. Modelos com diferentes geometrias, incluindo formatos com múltiplas faces de encaixe, ampliaram as possibilidades de aplicação tanto em pavimentação industrial de alto tráfego quanto em projetos urbanos que exigem padrão visual elevado.

Para o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, essa evolução técnica é o que tem permitido que pisos intertravados deixem de ser tratados como solução genérica e passem a ser especificados de forma criteriosa, de acordo com a função exigida em cada projeto, seja resistência a cargas pesadas, seja contribuição efetiva para a drenagem urbana.
Infraestrutura urbana: um problema que vai além da pavimentação
Resolver o problema das enchentes urbanas não depende exclusivamente da escolha do piso utilizado. Trata-se de um desafio sistêmico, que envolve planejamento urbano, ocupação do solo, manutenção de galerias pluviais e políticas públicas de longo prazo. A pavimentação permeável é uma peça importante desse quebra-cabeça, mas não substitui a necessidade de planejamento integrado entre poder público, urbanistas e setor da construção civil.
Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, costuma reforçar que soluções de engenharia isoladas dificilmente resolvem problemas urbanos complexos. O avanço real depende de projetos que considerem drenagem, pavimentação e ocupação do solo como partes de um mesmo sistema, e não como etapas independentes tratadas por atores diferentes sem coordenação entre si.
O custo de ignorar a drenagem na fase de projeto
Um erro recorrente em empreendimentos urbanos é tratar a drenagem como item secundário, resolvido apenas na fase final de projeto. Quando isso acontece, soluções de pavimentação permeável acabam sendo descartadas por suposto custo elevado, sem considerar o custo real de manutenção corretiva, recapeamento frequente e danos causados por alagamentos recorrentes em áreas mal planejadas.
Comparar custo inicial de pavimentação sem considerar o ciclo de vida completo da infraestrutura é uma armadilha comum em decisões de projeto pressionadas por orçamento de curto prazo. Especificar corretamente desde o início, considerando drenagem como parte estrutural do projeto, tende a representar economia real ao longo dos anos de uso da área pavimentada.
Cidades mais resilientes começam no detalhe da pavimentação
O debate sobre a adaptação das cidades brasileiras a um regime de chuvas mais intenso só vai se intensificar nos próximos anos. Pisos intertravados bem especificados representam um exemplo concreto de como decisões técnicas aparentemente pontuais podem ter impacto direto na resiliência urbana frente a eventos climáticos extremos.
Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, salienta uma visão que tende a ganhar cada vez mais espaço entre engenheiros e urbanistas: a infraestrutura urbana do futuro será definida por escolhas técnicas feitas hoje, peça por peça, metro quadrado por metro quadrado. Entender o papel da pavimentação nesse cenário é compreender que a resiliência das cidades brasileiras passa, também, pelo que está debaixo dos pés de quem caminha por elas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
