Agência reforça que medicamentos como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e similares continuam seguros quando utilizados com indicação médica, mas alerta para o aumento de casos relacionados ao uso inadequado.
O crescimento do uso das chamadas “canetas emagrecedoras” levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a reforçar um importante alerta de segurança. A agência atualizou recentemente seu comunicado sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso inadequado de medicamentos agonistas do receptor GLP-1 — grupo que inclui princípios ativos como semaglutida, tirzepatida, liraglutida e dulaglutida. A reação adversa já era conhecida e consta nas bulas desses medicamentos, porém o aumento das notificações de casos no Brasil e em outros países motivou um reforço das orientações para pacientes e profissionais de saúde. A principal mensagem da Anvisa é clara: os benefícios desses medicamentos continuam superando os riscos quando utilizados corretamente, mas a automedicação, o uso sem indicação clínica e a aquisição de produtos irregulares aumentam significativamente a possibilidade de complicações graves. Diante da popularização desses tratamentos para perda de peso, cresce também a necessidade de esclarecer quando esses medicamentos são realmente indicados e quais sintomas exigem atendimento médico imediato. (Serviços e Informações do Brasil)
O que motivou o alerta da Anvisa e por que a pancreatite preocupa
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de quadros leves até situações potencialmente fatais. O órgão desempenha funções essenciais para a digestão e para o controle da glicemia, produzindo enzimas digestivas e hormônios como a insulina. Quando ocorre inflamação intensa, essas enzimas podem começar a agir dentro do próprio pâncreas, provocando dor intensa, lesão dos tecidos e, em alguns casos, comprometimento de outros órgãos.
Segundo a Anvisa, o risco de pancreatite já está descrito nas bulas dos agonistas do GLP-1. O que motivou o novo alerta foi o crescimento das notificações de suspeitas envolvendo pacientes que utilizaram esses medicamentos fora das indicações aprovadas. Entre 2020 e dezembro de 2025, o sistema brasileiro de farmacovigilância registrou 145 notificações de eventos adversos relacionados a essa classe terapêutica, incluindo seis suspeitas de óbito. No Reino Unido, a autoridade regulatória também relatou mais de 1.200 notificações de pancreatite e 19 mortes suspeitas envolvendo usuários desses medicamentos, reforçando a necessidade de monitoramento internacional. É importante destacar que notificações de farmacovigilância não comprovam, por si só, uma relação direta de causa e efeito, mas funcionam como sinais de segurança que exigem investigação contínua. (Serviços e Informações do Brasil)
Apesar da repercussão do alerta, especialistas reforçam que não existe recomendação para suspensão generalizada desses tratamentos. A própria Anvisa afirma que o perfil benefício-risco permanece favorável quando os medicamentos são prescritos corretamente, respeitando as indicações aprovadas e com acompanhamento médico. Dessa forma, pacientes em tratamento não devem interromper a medicação por conta própria, mas procurar orientação caso apresentem sintomas sugestivos de pancreatite ou outras reações importantes.
Quais medicamentos estão envolvidos e quem realmente deve utilizá-los
O alerta envolve toda a classe dos agonistas do receptor GLP-1, utilizada principalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e, em alguns casos, da obesidade. Entre os medicamentos mais conhecidos estão Ozempic (semaglutida), Wegovy (semaglutida para obesidade), Mounjaro (tirzepatida), Saxenda (liraglutida) e Trulicity (dulaglutida). Eles atuam aumentando a sensação de saciedade, retardando o esvaziamento do estômago e estimulando a produção de insulina quando necessário, favorecendo tanto o controle glicêmico quanto a perda de peso em pacientes selecionados.
O problema identificado pela Anvisa está relacionado principalmente ao uso sem indicação médica. Nos últimos anos, esses medicamentos passaram a ser utilizados por pessoas sem diabetes ou obesidade clínica apenas por objetivos estéticos, muitas vezes adquiridos por meio de redes sociais, importações irregulares ou estabelecimentos sem autorização sanitária. Além do risco de produtos falsificados, há pacientes que utilizam doses inadequadas ou aumentam rapidamente a quantidade aplicada, elevando o risco de efeitos adversos.
Outro fator importante é que esses medicamentos não são indicados para todas as pessoas que desejam emagrecer. A decisão depende de critérios clínicos bem definidos, incluindo índice de massa corporal, presença de doenças associadas, histórico médico e avaliação individualizada. Pessoas com histórico de pancreatite recorrente, determinadas doenças gastrointestinais ou outras condições específicas podem necessitar de alternativas terapêuticas. Por isso, a prescrição deve sempre ser realizada por profissional habilitado, acompanhada de monitoramento periódico e exames quando necessários. (Serviços e Informações do Brasil)
Quais sintomas exigem atenção e como pacientes podem reduzir os riscos
O principal sintoma de pancreatite aguda é dor abdominal intensa e persistente, geralmente localizada na parte superior do abdome e podendo irradiar para as costas. Náuseas, vômitos, febre e piora progressiva da dor também podem estar presentes. Embora desconfortos gastrointestinais leves sejam relativamente comuns no início do tratamento com agonistas do GLP-1, uma dor intensa e contínua não deve ser considerada um efeito esperado e precisa de avaliação médica imediata.
A Anvisa orienta que pacientes jamais iniciem ou mantenham o uso desses medicamentos sem acompanhamento profissional. Desde 2025, a venda das chamadas canetas emagrecedoras exige retenção da receita médica nas farmácias, medida adotada justamente para reduzir o uso indiscriminado e aumentar a segurança dos tratamentos. A receita possui validade de até 90 dias, seguindo regras semelhantes às aplicadas aos antibióticos. A agência também recomenda que qualquer suspeita de reação adversa seja comunicada ao profissional responsável e registrada no sistema nacional de farmacovigilância, contribuindo para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos. (Serviços e Informações do Brasil)
Além da prescrição correta, pacientes podem reduzir riscos evitando automedicação, comprando medicamentos apenas em estabelecimentos autorizados, seguindo rigorosamente o esquema de doses prescrito e comparecendo às consultas de acompanhamento. Também é importante informar ao médico antecedentes de cálculos na vesícula, pancreatite, consumo excessivo de álcool ou outras doenças que possam aumentar o risco de inflamação pancreática. O tratamento da obesidade e do diabetes continua baseado em uma abordagem integrada, que inclui alimentação equilibrada, atividade física, mudanças de estilo de vida e acompanhamento multiprofissional.
O alerta recente da Anvisa não representa uma proibição das canetas emagrecedoras nem indica que esses medicamentos deixaram de ser seguros. O objetivo da agência é reforçar o uso racional de terapias que trouxeram avanços importantes no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, mas que precisam ser utilizadas dentro das indicações aprovadas e sob supervisão médica. Para pacientes, a principal orientação é não interromper o tratamento por conta própria, mas buscar atendimento caso apresentem sintomas de alerta. Para os profissionais de saúde, o momento reforça a importância da educação em saúde, da farmacovigilância e do acompanhamento próximo dos usuários, garantindo que os benefícios dessas terapias continuem superando os riscos na prática clínica. (Serviços e Informações do Brasil)
