A Cremesp, Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, adotou uma postura firme em relação à atuação de políticos em ambientes hospitalares e de saúde. Recentemente, a entidade emitiu uma resolução que proíbe explicitamente a entrada de representantes políticos em áreas privativas da medicina, buscando evitar interferências indevidas no atendimento e nas decisões clínicas. Essa medida ganhou destaque no contexto de um incidente grave em Minas Gerais, onde um vereador causou tumulto em uma unidade de saúde e, consequentemente, resultou no falecimento de um paciente idoso. Essa situação levanta questões sobre a autonomia médica e o respeito às normas que regem o atendimento à saúde.
A atuação de políticos em unidades de saúde nunca foi tão discutida como nos últimos tempos. A resolução da Cremesp visa proteger os pacientes e a prática médica de intervenções políticas que possam comprometer a qualidade do atendimento. Esse tipo de situação, como o ocorrido em Minas Gerais, prejudica não só o funcionamento das unidades, mas também põe em risco a vida de cidadãos que buscam atendimento médico sem a interferência de questões externas. O vereador Wladimir Canuto (Avante), ao invadir a Sala Vermelha de uma Unidade Básica de Saúde, desrespeitou as normas estabelecidas pelos profissionais de saúde, e sua ação resultou em uma tragédia que poderia ter sido evitada.
A Cremesp, ao proibir a entrada de políticos em áreas privativas da medicina, também tem encorajado os profissionais de saúde a denunciarem qualquer tipo de abuso ou tentativa de interferência por parte de políticos ou outras autoridades. A medida tem o objetivo de preservar a liberdade e a independência do trabalho médico, permitindo que os profissionais realizem suas funções sem pressões externas. Para isso, o Conselho disponibiliza canais de comunicação diretos para que os médicos e demais trabalhadores da saúde possam fazer suas denúncias de forma segura e confidencial.
Essa postura da Cremesp reflete a preocupação com a ética no exercício da medicina e a manutenção da qualidade dos serviços prestados à população. Quando políticos se envolvem em questões que competem exclusivamente à competência dos profissionais de saúde, comprometem o funcionamento adequado das instituições e geram uma falsa impressão de que a política pode influenciar as decisões médicas. A autonomia dos profissionais é fundamental para garantir que os pacientes recebam o melhor atendimento possível, sem que interesses externos interfiram nesse processo.
É importante ressaltar que a atuação de políticos, quando bem intencionada, pode ser positiva em muitas áreas. No entanto, ao interferirem diretamente em unidades de saúde, muitas vezes eles acabam minando a confiança do público nos profissionais médicos e nas instituições que prestam serviços à sociedade. O Conselho Regional de Medicina, ao adotar essa resolução, busca justamente manter a integridade das práticas médicas e garantir que os pacientes não sejam prejudicados por decisões políticas inadequadas. A política deve atuar no sentido de melhorar as condições de saúde e garantir recursos, mas sem ultrapassar as fronteiras do que é ético e necessário.
A Cremesp também destacou que qualquer violação da resolução será tratada com rigor, e as penalidades para os infratores podem ser severas. A ética médica deve prevalecer sobre qualquer interesse político ou partidário, e essa é a mensagem clara que a resolução transmite. A medida visa, além de proteger os profissionais de saúde, garantir que a sociedade continue a confiar nos serviços médicos prestados pelas unidades de saúde, que são vitais para o bem-estar da população.
O ocorrido em Minas Gerais serve como um alerta para a importância de se respeitar os limites entre a política e a saúde. O incidente que resultou na morte de um idoso após a invasão de um político na sala de emergência demonstra como a falta de respeito às normas pode ter consequências graves. A resolução da Cremesp é uma tentativa de evitar que outros episódios como esse aconteçam e garantir que a prioridade nos atendimentos seja sempre a saúde e o bem-estar dos cidadãos.
A Cremesp, portanto, além de proibir a entrada de políticos em áreas privativas da medicina, está promovendo uma cultura de respeito à autonomia dos profissionais e à saúde pública. Ao estimular denúncias de abusos e atitudes antiéticas, o Conselho fortalece a confiança da sociedade nas instituições de saúde e no trabalho dos médicos. A busca por uma saúde pública de qualidade depende, em grande parte, da manutenção da ética e da integridade das decisões médicas, e a Cremesp está fazendo sua parte para garantir que isso seja uma realidade.
Autor: Igor Kuznetsov
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital