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Novo comprimido experimental reduz episódios de apneia do sono em cerca de 44%

Martina Corvelli
Martina Corvelli 1 de setembro de 2026
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Medicamento AD109 apresentou resultados positivos num estudo de fase 3 com 646 adultos e poderá tornar-se uma alternativa para pessoas com apneia obstrutiva do sono que não conseguem utilizar o CPAP.

Contents
Como funciona o novo medicamentoMais de 40% tiveram redução na gravidade da doençaMedicamento pode ser alternativa ao CPAPTratamento não está livre de efeitos adversosApneia do sono vai além do roncoAD109 ainda é um medicamento experimentalResultados podem ampliar opções contra a apneiaFontes:

Um comprimido experimental tomado uma vez por noite apresentou resultados promissores no tratamento da apneia obstrutiva do sono, uma condição caracterizada por interrupções repetidas da respiração enquanto a pessoa dorme. O medicamento AD109 conseguiu reduzir em cerca de 44% o índice que mede os episódios de apneia e hipopneia entre participantes de um grande ensaio clínico de fase 3.

O estudo SynAIRgy acompanhou 646 adultos com apneia obstrutiva do sono leve, moderada ou grave durante seis meses. Os participantes estavam distribuídos por 69 centros de investigação nos Estados Unidos e Canadá e tinham em comum o facto de não tolerarem ou terem recusado a terapia de pressão positiva nas vias aéreas, conhecida pela sigla PAP e cuja modalidade mais conhecida é o CPAP.

Os resultados indicaram uma diferença importante entre quem recebeu o medicamento e quem recebeu placebo. Enquanto o índice de apneia-hipopneia caiu aproximadamente 44% no grupo tratado com AD109, a redução ficou em cerca de 18% entre os participantes que receberam placebo. Outros indicadores relacionados com a oxigenação durante o sono também apresentaram melhorias.

Como funciona o novo medicamento

O AD109 combina duas substâncias: aroxybutynin e atomoxetina. A estratégia é diferente da utilizada pelo CPAP porque procura atuar sobre um dos mecanismos que contribuem para o fechamento das vias respiratórias durante o sono.

Durante a apneia obstrutiva, os músculos responsáveis por manter as vias aéreas superiores abertas podem não conseguir evitar adequadamente o seu estreitamento ou colapso. Quando isso acontece, a passagem do ar é interrompida ou significativamente reduzida durante alguns segundos.

O medicamento foi desenvolvido para aumentar a atividade muscular responsável por manter essa passagem aberta durante o sono. A combinação das duas substâncias procura atuar sobre mecanismos neuromusculares envolvidos no problema, diminuindo a probabilidade de colapso das vias respiratórias.

Mais de 40% tiveram redução na gravidade da doença

Além da redução média no número de eventos respiratórios, os investigadores analisaram se o tratamento conseguia alterar a própria classificação da gravidade da apneia. Mais de 40% dos participantes tratados com AD109 melhoraram o suficiente para passar para uma categoria menos grave da doença.

Cerca de 18% atingiram aquilo que os investigadores classificaram como controlo completo da apneia, com o índice de eventos respiratórios abaixo do limite utilizado para definir a presença da doença.

Também foram observadas melhorias relacionadas com a falta de oxigénio durante o sono. Os investigadores avaliaram indicadores como o índice de dessaturação de oxigénio e a chamada carga hipóxica, que procura medir a intensidade e a duração das quedas de oxigénio associadas aos episódios respiratórios.

Medicamento pode ser alternativa ao CPAP

O CPAP continua a ser um dos principais tratamentos para a apneia obstrutiva do sono. O aparelho utiliza pressão positiva para manter as vias respiratórias abertas durante o sono e pode ser extremamente eficaz quando utilizado corretamente.

O problema é que nem todos os pacientes conseguem adaptar-se. A máscara utilizada durante a noite pode causar desconforto para algumas pessoas, e problemas relacionados com ruído, pressão, ressecamento e adaptação podem dificultar a utilização regular.

Foi justamente essa população que o estudo procurou avaliar. Os 646 participantes incluídos no ensaio eram pessoas que não conseguiam tolerar ou haviam recusado a terapia PAP, criando um cenário no qual uma alternativa farmacológica poderia ter importância clínica.

Tratamento não está livre de efeitos adversos

Apesar dos resultados positivos, o AD109 também apresentou efeitos secundários. Entre os mais relatados estiveram boca seca, náuseas, insónia e dificuldade em urinar.

Segundo os dados divulgados, aproximadamente 21% dos participantes que receberam o medicamento interromperam o tratamento devido a reações adversas. Esse resultado é particularmente importante porque a tolerabilidade é um dos fatores que as autoridades reguladoras precisam de considerar ao avaliar um novo medicamento.

Os benefícios observados no ensaio precisam, portanto, de ser analisados juntamente com os riscos. Um medicamento pode reduzir significativamente os episódios respiratórios, mas a sua utilização na prática dependerá também do perfil de segurança e de quais pacientes apresentam uma relação favorável entre benefício e risco.

Apneia do sono vai além do ronco

A apneia obstrutiva do sono é frequentemente associada ao ronco, mas as consequências podem ser muito mais amplas. As interrupções respiratórias fragmentam o sono e podem provocar quedas repetidas na concentração de oxigénio no sangue.

Pessoas com a condição podem apresentar sonolência durante o dia, dificuldade de concentração, alterações de humor e sensação de cansaço mesmo depois de terem dormido durante várias horas. Em determinados casos, o paciente pode nem perceber que acorda repetidamente durante a noite.

A doença também está associada a riscos cardiovasculares e metabólicos, especialmente quando permanece sem tratamento. Por isso, encontrar alternativas para pacientes que não conseguem utilizar adequadamente o CPAP é uma das áreas de interesse da medicina do sono.

AD109 ainda é um medicamento experimental

Apesar da repercussão dos resultados, o AD109 ainda não deve ser apresentado como substituto disponível para o CPAP. O medicamento permanece em processo regulatório e não está aprovado para utilização generalizada no tratamento da apneia obstrutiva do sono.

A Apnimed, empresa responsável pelo desenvolvimento, já submeteu à Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, um pedido de aprovação do AD109. Os dados dos estudos de fase 3 fazem parte da documentação utilizada para avaliar eficácia e segurança.

Caso seja aprovado, o AD109 poderá tornar-se uma das primeiras terapias farmacológicas orais especificamente desenvolvidas para atuar sobre o mecanismo neuromuscular associado ao colapso das vias aéreas na apneia obstrutiva.

Resultados podem ampliar opções contra a apneia

O principal significado dos resultados está na possibilidade de aumentar o número de opções disponíveis. A apneia não é uma doença igual em todos os pacientes e diferentes mecanismos podem contribuir para o problema, o que torna particularmente importante a existência de abordagens terapêuticas distintas.

Os resultados do SynAIRgy demonstram que atuar farmacologicamente sobre os músculos das vias respiratórias pode produzir melhorias mensuráveis na obstrução e na oxigenação durante o sono. Um segundo estudo de fase 3, chamado LunAIRo, também apresentou resultados positivos para o AD109.

Ainda será necessária a conclusão da avaliação regulatória antes de saber se o medicamento poderá chegar aos pacientes. Até lá, o CPAP e outras terapias já estabelecidas continuam a ser as opções disponíveis, escolhidas de acordo com avaliação médica individual.

O avanço do AD109, entretanto, abre uma possibilidade importante para a medicina do sono: tratar determinados casos de apneia obstrutiva através de um comprimido que atua diretamente sobre mecanismos associados ao fechamento das vias respiratórias durante a noite.

Os resultados divulgados hoje apontam redução aproximada de 44% no índice de apneia-hipopneia com AD109 contra 18% com placebo. A American Thoracic Society confirma também os 646 participantes e os 69 centros envolvidos no ensaio. (ScienceDaily)

Fontes:

American Thoracic Society — estudo sobre o AD109 e apneia obstrutiva do sono

Artigo científico — American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine

PubMed — estudo de fase 3 SynAIRgy

Apnimed — dados de fase 3 e pedido de aprovação do AD109

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