A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, em 25 de setembro de 2026, as recomendações para a composição das vacinas contra a gripe que deverão ser utilizadas na temporada de 2027 no Hemisfério Sul. A atualização é baseada na análise dos vírus da influenza que circularam entre fevereiro e agosto de 2026 e serve de referência para fabricantes e autoridades regulatórias.
A recomendação foi apresentada após uma consulta técnica realizada entre 21 e 24 de setembro, em Lyon, na França. O processo reúne informações de vigilância epidemiológica para avaliar quais variantes estão circulando e quais componentes devem fazer parte dos imunizantes sazonais. A orientação, no entanto, não representa automaticamente a aprovação ou o início de uma campanha de vacinação em cada país.
Quais são as cepas recomendadas para 2027
Para as vacinas produzidas em ovos, a OMS recomendou componentes semelhantes às cepas A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09, A/Darwin/1454/2025 (H3N2) e B/Tokyo/EIS13-175/2025, da linhagem B/Victoria. Essas referências correspondem aos três componentes indicados para a formulação destinada à temporada do Hemisfério Sul.
Para vacinas produzidas em cultivo celular, por tecnologia recombinante ou com base em ácidos nucleicos, a recomendação inclui cepas semelhantes a A/Missouri/11/2025, A/Darwin/1415/2025 e B/Pennsylvania/14/2025. A diferença entre as listas está relacionada aos sistemas de produção utilizados, que podem exigir vírus de referência específicos para cada tecnologia.
O documento técnico com a composição recomendada está disponível na Organização Mundial da Saúde. As formulações finais dependem das etapas de desenvolvimento, fabricação, avaliação e autorização conduzidas pelos responsáveis em cada país.
Por que a composição da vacina é revisada regularmente
Os vírus da influenza sofrem mudanças ao longo do tempo e as linhagens predominantes podem variar entre regiões e temporadas. Por isso, a composição das vacinas contra a gripe não é necessariamente mantida de um ano para o outro. A atualização busca aproximar os componentes dos imunizantes dos vírus que apresentam maior relevância na circulação recente.
Para orientar esse trabalho, a OMS utiliza dados do Sistema Global de Vigilância e Resposta à Influenza, conhecido pela sigla GISRS. A rede reúne informações sobre a circulação dos vírus e apoia a análise laboratorial e epidemiológica necessária para a escolha das cepas. De acordo com o Programa Global de Influenza da OMS, as consultas sobre a composição das vacinas são realizadas duas vezes por ano, considerando as temporadas do Hemisfério Norte e do Hemisfério Sul.
Esse acompanhamento internacional permite que fabricantes tenham uma referência técnica antes de produzir os imunizantes sazonais. Também ajuda autoridades de saúde e órgãos regulatórios a avaliar quais formulações deverão ser consideradas para suas respectivas populações, de acordo com as regras e os calendários locais.
O que a recomendação significa para o Brasil
Como o Brasil está no Hemisfério Sul, a orientação da OMS é relevante para o planejamento da temporada de influenza no país. Ainda assim, a publicação da composição recomendada não significa, por si só, que uma campanha nacional será iniciada imediatamente ou que as vacinas já estejam disponíveis para aplicação.
Cada país precisa definir os procedimentos regulatórios e sanitários aplicáveis. No Brasil, decisões relacionadas à autorização de vacinas, à estratégia de imunização e ao calendário dependem das autoridades nacionais competentes, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o Ministério da Saúde. A recomendação internacional funciona como referência técnica, mas não substitui essas decisões.
Também é importante diferenciar a escolha dos componentes da vacina da definição dos grupos prioritários, das datas de vacinação e da logística de distribuição. Esses aspectos fazem parte do planejamento nacional e podem ser divulgados posteriormente pelas autoridades responsáveis, conforme a avaliação da situação epidemiológica e das necessidades do sistema de saúde.
Próximas etapas
Após a recomendação da OMS, fabricantes e autoridades regulatórias seguem com as etapas necessárias para transformar a orientação técnica em produtos autorizados para uso. O processo envolve a preparação das formulações, a avaliação dos imunizantes e o cumprimento das exigências estabelecidas em cada jurisdição.
A consulta realizada em setembro e o comunicado divulgado em 25 de setembro de 2026 representam, portanto, uma etapa de preparação para a temporada de 2027. A composição indicada poderá orientar o desenvolvimento das vacinas contra a gripe destinadas aos países do Hemisfério Sul, enquanto as decisões sobre aprovação, aquisição e vacinação continuarão sob responsabilidade das autoridades nacionais.
As informações oficiais sobre a consulta técnica e a recomendação para 2027 podem ser acompanhadas no comunicado da OMS e na página do evento realizado em Lyon, entre 21 e 24 de setembro de 2026, disponível no calendário oficial da organização.
